“Eu não posso escolher por você”

Essa é uma das frases que eu mais falo para os meus mentorados e mentoradas que esperam que eu me posicione perante suas respectivas questões pessoais.

De início eles se decepcionam ao ouvir isso, pois esperam que eu tenha uma opinião mais concreta, um posicionamento.

O que eles não sabem, porém, é que eu aprendi essa lição passando exatamente pela mesma situação. 

Para mentorar você precisa ter sido mentorado

Logo no início da minha carreira eu trabalhava com manufatura e tive uma grande oportunidade de ir trabalhar com operações.

Mesma empresa, diferentes áreas.

Manufatura no Sul. Operações no Rio.

Era muito cedo e eu não tinha adquirido tanta experiência com manufatura ainda. Sabia que ir para a operações era um caminho quase sem volta.

Além de uma ascensão na carreira, essa mudança representava maior exposição, maiores responsabilidades e maiores riscos.

Quem não aceitaria isso logo no início da carreira, ?

 Bem, eu ponderei.

Uma escolha “óbvia” pode não ser uma boa escolha.

E como sempre faço antes de tomar uma decisão importante, conversei com muita gente.

Amigos, família, professores e mentores.

Durante uma das conversas com um grande mentor nos Estados Unidos, eu, com a ingenuidade de um jovem com 6 meses de carreira, esperava que ele me dissesse o que faria no meu lugar.

 Ledo engano.

A conversa se estendia, ele só fazia perguntas e parecia me deixar mais confuso.

Depois de muito me ouvir pontuar os lados positivos e negativos de cada uma das opções, ele me disse:

“Eu não posso escolher por você, Rodrigo”.

 Essa frase veio como um balde de água fria.

 Como assim, uma das pessoas que eu mais admiro na indústria, com mais de 30 anos de carreira, não ter a capacidade de assumir uma posição sobre um tema de início de carreira?

 À época, isso parecia inconcebível para mim.

 Saí da conversa desanimado, mas com uma certeza:

 Ninguém que realmente pudesse me dizer que caminho seguir tomaria uma decisão por mim.

Eu podia trocar ideias e ouvir todo mundo, mas a escolha competia exclusivamente a mim.

 Depois de muito refletir, eu escolhi aceitar a oferta e ir para operações.

 Dali pra frente minha carreira deslanchou.

 Em menos de 1 ano fui promovido novamente, comecei a publicar artigos internacionais, fiz Mestrado, venho construindo uma identidade digital, criando muito conteúdo, conhecendo muita gente e atualmente moro e trabalho nos Estados Unidos, ao lado desse grande mentor lá do início da minha carreira.

Eu não costumo pensar o que teria sido se eu tivesse escolhido a outra alternativa.

O que dá para saber é que definitivamente eu não estaria onde estou hoje.

Poderia estar melhor?

 Talvez sim, talvez não.

 Quem vai saber?

 O que eu sei, hoje, é que estou extremamente realizado onde estou.

E quer saber o que é mais legal?

Há alguns dias eu resgatei essa conversa com meu mentor e perguntei o que ele teria feito no meu lugar naquela oportunidade.

E para minha surpresa ele confessou que teria ficado na manufatura.

E se ele tivesse se posicionado lá atrás, talvez eu tivesse seguido o caminho dele e não o meu.

Portanto, lembre sempre:

Quando se trata de escolhas, você pode consultar todo mundo, mas no fundo, no fundo, só você quem sabe para onde deve ir.

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