Essa é, sem dúvida, a pergunta mais recorrente que me fazem em palestras por aí afora. É também, não por acaso, a pergunta mais difícil de responder, já que depende de uma série de variáveis, as quais muitas vezes estão fora do nosso controle.

Esses dois fatores combinados, me levaram a escrever este artigo.

O que exponho aqui é fruto das centenas de conversas e testemunhos que tenho com docentes e discentes da academia e diversos profissionais da indústria, mas principalmente resultado das minhas experiências particulares.

Um pequeno spoiler?

As dicas deste artigo só dependem de você!

Agora, se você acha que vai encontrar aqui uma fórmula pronta para conciliar Mestrado e trabalho, sugiro que nem perca seu tempo lendo o restante do texto.

Meu propósito é abordar a questão do ponto de vista das variáveis que competem exclusivamente a você.

Logo, se você é mais do tipo de pessoa que toma rédea da situação e foca no que está sob seu controle, pode tirar os sapatos, pegar um café e relaxar.

Esse artigo é pra você!

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Academia vs. Indústria

Esse é um tema polêmico e recorrente. Eu costumo dizer, com uma ênfase bastante infeliz, que Academia e Indústria estão cada vez mais distantes, especialmente no Brasil.

Enquanto a Indústria vive uma rotina acelerada, de coisas urgentes, sempre pra ontem, muitas vezes correndo atrás do próprio rabo, atropelando processos fundamentais e importantes, a Academia vive numa espécie de “bolha fundamentalista”, quase sempre importante, mas nem sempre necessariamente importante.

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Confundiu?

É, eu sei. Foi intencional.

O que quero dizer é que a Academia muitas vezes desenvolve pesquisas super importantes, mas que muitas vezes não estão alinhadas às demandas da indústria ou da sociedade como um todo, se preferir. Principalmente com relação a prazos.

Os prazos da indústria são curtos. Os de pesquisa, longos. O plano de ambos precisa considerar essa discrepância. A indústria precisa dar tempo para a academia, e a academia precisa entender que as coisas precisam ter fim.

Costuma-se dizer que Mestrado e Doutorado não se termina; se abandona!

Sim, essa é uma leitura absolutamente generalizada da situação.

O que não deixa de ser verdade.

Mas isso tudo é papo para um outro artigo.

Vamos ao que interessa.

Como conciliar Trabalho e Mestrado?

Se você não me conhece, aqui vai um pouquinho da minha trajetória.

Eu fiz graduação em período integral, portanto não havia espaço para trabalhar. Tive a felicidade de meu curso oferecer estágios integrais também, que oscilavam com a graduação. Devo dizer que isso orientou minha escolha pelo curso inclusive.

Terminada a graduação, logo no meu primeiro emprego fui trabalhar em Caxias do Sul. Por lá, os cursos de Engenharia eram noturnos e possibilitavam que as pessoas trabalhassem e estudassem ao mesmo tempo. A herança da cultura italiana na serra gaúcha faz com que a fluxo natural leve as pessoas a trabalhar logo que terminam o segundo grau ou o colegial. A faculdade é o segundo step. E os cursos acabam sendo noturnos também por essa razão.

Eu admirava muito o que eles faziam! Para mim era impossível conciliar tudo. Mas a galera consegue. É impressionante!

Quando me mudei para o Rio, depois de pouco mais de um ano em Macaé, resolvi iniciar um Mestrado.

Loucura né?

Aham!

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Mas equilíbrio é o meu grande objetivo de vida!

Na época, a minha empresa não tinha uma demanda específica relacionada à minha área científica que justificasse uma pesquisa de Mestrado e os investimentos financeiros associados. Mas isso não foi motivo para eu desistir e também não deve ser pra você!

Cabe aqui um agradecimento especial à Weatherford na pessoa do meu líder na época, Renato Borges, que soube ponderar o meu desejo profissional, sem comprometer minhas entregas e os interesses da empresa.

Chegamos portanto às duas primeiras variáveis.

Uma que está sob seu controle e outra que não. Ou parece que não?!

Definir o tema da sua pesquisa

Essa é uma questão que compete exclusivamente a você! Pode parecer que não, mas sim.

Eu errei muito nessa questão. Quando comecei a pensar minha pesquisa de Mestrado, eu procurava apenas temas que pudessem ser de interesse imediato da minha empresa. Levava propostas para orientadores, balanceava os prazos (olha os prazos aqui!), tentava encontrar formas de justificar a pesquisa para a companhia, quando nem eu mesmo estava convencido.

Um caos!

Muitas noites se foram sem dormir, até que uma luz apareceu. E agora o agradecimento especial vai para a Annelise Zeemann, minha principal referência na profissão. De uma maneira muito sutil, a Annelise me provocou com um case interessantíssimo de metalurgia na indústria de Óleo e Gás.

Não vou consumir você com a minha pesquisa em si, mas o case era sensacional! Tinha associação metalúrgica de materiais metálicos distintos, variáveis de processamento mecânico e tratamento térmico, aplicação submarina, uma possibilidade de aprender sobre modelamento numérico e elementos finitos e uma brecha nas normas internacionais.

Entrou certeiro na minha mente!

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Conseguir o aval da sua empresa

Essa é a variável que não depende de você. Ou pelo menos, parece que não.

Conseguir o aval da sua empresa e/ou do seu líder para compensar as horas em que precisará se ausentar definitivamente não é uma opção sua. A depender do seu cargo, talvez isso seja completamente inviável.

Se a empresa precisa da sua presença física em horário comercial, eu diria que suas chances são bem pequenas. Já se você exerce uma função mais independente e não gera grandes impactos em fluxos e processos, suas chances podem ser maiores.

Eu gosto sempre de salientar que, na maioria das vezes, você pode pensar nessas coisas antes de aceitar uma oferta de trabalho ou uma promoção por exemplo.

E você pode até tentar me convencer que não, mas não adianta: isso só depende de você!

E aqui vem um pequeno segredo que pode te ajudar:

Ofereça primeiro!

Ao invés de apenas pedir para se ausentar 6 ou 8 horas semanais, ofereça compensação por essas horas chegando mais cedo ou saindo mais tarde. Dê a empresa mais do que ela precisa no tempo que você estiver lá. Lembre que o maior interessado nesse caso é você. Faça valer a pena para a empresa também.

Senso de dono por si só não basta

Outro ponto fundamental diz respeito ao senso de dono com a pesquisa. Você precisa exercer a autoridade de dono mais do que apenas ter “senso de”.

Sempre haja como o principal interessado na pesquisa, pois você será o maior beneficiado com ela.

Eu errei muito nesse aspecto também. Muitas vezes esperei pelos outros. Confiei no meu senso de dono ao invés de agir como tal.

O fato é que ninguém vai fazer a pesquisa por você. Por mais que seja uma pesquisa de interesse da empresa, o título de Mestre será seu. Muitas vezes é um caminho solitário, mas isso é parte do processo.

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Já vi muita gente atribuindo o interesse da pesquisa à empresa ou até ao professor orientador (o que muitas vezes até é o caso), mas entenda que o dono da pesquisa, e portanto o maior interessado, é você.

E se não for, por que você está fazendo Mestrado mesmo?

Para finalizar, deixo aqui a dica mais importante de todas:

Dê o seu jeito!

Uma pesquisa de Mestrado é cheia de eventos inesperados. Um monte de coisas, provavelmente a maioria, não vai sair como planejado e os resultados podem não ser nada daquilo que você esperava no início.

Se fosse fácil, qualquer um faria.

Se fosse como esperado, não precisava de uma pesquisa.

É por isso que você está aí, Mestre.

Dê o seu jeito!

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