Tem uma frase atribuída ao Bill Gates que eu valorizo muito e que diz:

“Most people overestimate what they can do in one year and underestimate what they can do in ten years.”

Você superestima o que você fará em um ano e subestima o que fará em dez.

Eu decidi fazer um Mestrado em 2012, logo que tinha saído da faculdade. Minha porta de entrada no mercado de trabalho foi Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Por isso, logo em 2013 fui conhecer o programa de Mestrado na UFRGS.

No mesmo ano recebi uma proposta para ir para Macaé e no ano seguinte acabei sendo transferido para o Rio. Dois anos depois de formado eu tinha sido promovido duas vezes e estava morando no Rio de Janeiro.

Minha carreira ía de vento em popa. Um sonho!

E a vontade de fazer o Mestrado permanecia.

Quando eu apliquei para o Mestrado da UFRJ em 2014, a ideia não parecia boa pra ninguém. Com raras exceções, quase todo mundo achava que não fazia sentido.

– “Mas você está na indústria. Mestrado acadêmico não vai fazer nenhuma diferença.” Diziam alguns.

 “Mas você quer ser professor?” Perguntavam outros.

Não vou nem entrar no mérito do quão absurdos esses comentários soavam pra mim, mas tudo bem. O fato é que eu contrariei a maioria, 2015 chegou e com ele meu Mestrado começou.

E para ser honesto, olhando pela perspectiva que a maioria olhava, baseada naquele cenário e supondo que ele fosse estático, realmente o Mestrado não faria nenhuma diferença. Reforço: naquele momento e cenário.

Mas existem vários problemas nessa perspectiva.

  1. O mundo não é estático.
  2. O tempo não pára.
  3. As coisas não param de evoluir e mudar.

Escolhas de longo prazo precisam levar em consideração o cenário futuro. Por mais desconhecido que seja.

Experimente analisar pela minha perspectiva.

Eu tinha um plano de trabalhar fora do país nos próximos 5 anos. E eu sabia que o título de Mestre poderia ser determinante para atingir esse objetivo.

Aliás, meus objetivos são muito claros pra mim. Da mesma forma que o step by step para alcançar cada um deles.

E aqui reside a primeira lição:

Enquanto suas escolhas de longo prazo se pautarem apenas no cenário do presente, você estará sempre atrasado.

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Quer ver uma coisa?

Um dos erros mais comuns que vejo as pessoas cometerem é ingressarem em uma faculdade analisando o cenário corrente. Já aconteceu com Odontologia, com Direito e com várias Engenharias.

Pouquíssimas pessoas traçam um prognóstico do que será aquela profissão nos próximos 5 ou 10 anos, quando eles estiverem se formando.

Quem em sã consciência, 10 anos atrás, pensava que Psicologia poderia ser tão demandada quanto é hoje?

Definir onde você quer estar alguns anos a frente, sem ao menos tentar visualizar como o mundo estará lá é um grande equívoco.

Com certeza não é fácil! E eu não estou dizendo que você precisa ser a mãe Diná para prever o futuro.

(By the way, a depender da sua idade, você pode não ter a mínima noção de quem é a mãe Diná. Mas isso não vem ao caso).

Parêntese a parte, o que eu estou sugerindo é que você ao menos PENSE a respeito.

Se enxergue em um possível cenário alterado. O mundo muda. Você precisará mudar com ele.

Meu pai sempre me ensinou: “construa suas escadas enquanto não necessita delas; os muros aparecerão e você precisará estar pronto para superá-los”.

De fato! O Mestrado não fazia diferença nenhuma naquele momento e cenário. Eu precisaria desprender muito esforço para algo que não teria retorno.

E aqui reside a segunda lição:

Não significa que algo que não te dá retorno imediato não te dará retorno.

O grau de Mestre foi a cereja do bolo para eu receber uma proposta de trabalho nos Estados Unidos. Sem ele eu não teria um grande diferencial sobre os americanos que disputaram a vaga comigo. Sem ele eu não seria enquadrado uma categoria acima dos meus concorrentes.

Sem ele eu não teria alcançado meu objetivo.

E agora se prepare!

A terceira lição pode ser bastante controversa, mas ela é muito verdadeira.

Diplomas e graus têm pouco valor no seu dia-a-dia, mas ainda são os passaportes que podem te separar do seu sonho.

O seu conhecimento é o que vai te sustentar! Ele é a sua ferramenta diária. Você precisará muito mais dele do que do diploma que ficará engavetado até você se esquecer que um dia o teve.

Mas o pedaço de papel ainda é o que pode te permitir acessar determinada vaga ou te deixar de fora de um processo seletivo, por melhor que você seja ou se considere.

Eu sou o maior defensor do mecanismo contrário. Não penso que diploma seja necessário para julgar conhecimento de ninguém. E não é! Mas é um pré-requisito.

Eu gosto muito de uma frase do meu amigo @Richard:

O diploma não te diferencia; ele te iguala.

Não por acaso ele também tem o diploma dele. Da Universidade de Oxford!

É a real, galera!

Talvez você precise se igualar primeiro para depois se diferenciar.

Não foi o meu caso, mas pode ser o seu.

Tem um pensamento do Foucault também que diz:

O diploma serve apenas para constituir uma espécie de valor mercantil do saber. Isto permite também que os não possuidores de diplomas acreditem não ter direito de saber ou não serem capazes de saber. Todas as pessoas que adquirem um diploma sabem que ele nada lhes serve, não tem conteúdo, é vazio. Em contrapartida, os que não têm diploma dão-lhes um sentido pleno. Acho que o diploma foi feito precisamente para os que não o têm.

Profundo, né?

Concluo:

Caso não o tenha feito, reavalie suas escolhas considerando os possíveis cenários futuros.

Se veja daqui a um ano sem superestimar. Seja realista!

Se veja daqui a dez sem subestimar. Seja ambicioso!

Se eu não antevisse a necessidade de um Mestrado, eu jamais teria iniciado.

Se eu não tivesse começado provavelmente eu não estivesse escrevendo esse artigo hoje, 5 anos depois, aqui dos Estados Unidos.

Sabe aquela negócio de correr atrás?

Eu sempre preferi correr na frente.

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