Se você é Engenheir@ de Materiais, como eu, certamente já se deparou com essa pergunta centenas de vezes. E tenho quase certeza que não conseguiu responder. Ou se atrapalhou todo para responder e ninguém entendeu nada.

Acertei? Pois é.

O fato é que as áreas mais comuns da Engenharia são amplamente conhecidas. Em geral, todo mundo tem uma noção do que Engenheiros Mecânicos, Civis ou Químicos fazem.

OK! Nem todo mundo.

Sei que meus colegas dessas Engenharias também lidam com o incômodo de as pessoas generalizarem muito suas profissões.

Por outro lado, algumas Engenharias mais específicas, que vou tomar muito cuidado aqui para chamar de “recentes” (entre aspas porque na verdade de recentes não tem nada), são autoexplicáveis.

Engenheiro de Transportes, Engenheiro de Corrosão, etc.

Já a Engenharia de Materiais é um tanto difícil de compreender. Ela não é POP como as Engenharias clássicas, mas também não se autoexplica pelo nome. E isso gera uma confusão danada.

Engenheiro de Materiais? Mas é material para que? É material de construção? Qualquer tipo de material? Material pra roupa também?? Duvido?!

Já ouvi de tudo. Até material escolar já me perguntaram se era.

Eu admito que é uma pergunta bastante difícil de responder. Inclusive para nós, os próprios Engenheiros de Materiais. 

WHATTTTTTT???

Tá bom. Nós sabemos o que fazemos, só não sabemos explicar o que fazemos.

Entendeu agora? Ainda não? Ok. Você já vai entender.

Neste artigo eu desmistifico o dilema do papel do Engenheiro de Materiais na indústria de maneira simples e descontraída. 

Tire os sapatos e pode entrar. Feel yourself at home!

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Para entender o que um Engenheiro de Materiais faz, primeiro é preciso entender o que é a Engenharia de Materiais.

De maneira bem simples:

A Engenharia de Materiais é um braço da Engenharia Mecânica.

Toda ementa de curso de Engenharia Mecânica que se preze possui um determinado número de disciplinas relacionadas a Materiais. Processamento Mecânico, Tratamento Térmico, Estrutura dos Materiais e por aí vai.

Outras Engenharias desse grupo das “Engenharias de base” também as tem, como a Engenharia Civil com as ResMats (Resistência dos Materiais) da vida. 

A nossa evolução natural, resultado de pesquisa, desenvolvimento e tudo mais, ampliou o conhecimento em torno dessas disciplinas específicas ao ponto de possuir conteúdo suficiente para que “Materiais” recebesse o título de uma Engenharia exclusiva.

Praticamente como uma cidade que se emancipa de outra. Ou um país que declara independência, se você preferir.

A própria Engenharia de Materiais já tem suas ramificações.

Nanomateriais. Soldagem. Corrosão. E assim por diante.

Portanto entendam, recrutadores:

Um Engenheiro Mecânico ou Civil pode conhecer um pouco de Materiais como um Engenheiro de Materiais conhece de Corrosão ou Nanomateriais. Mas se você quer um profissional com conhecimento de materiais, contrate um Engenheiro de Materiais.

O papel do Engenheiro de Materiais tem seu ponto de partida na Ciência dos Materiais, que é dividida emMetais, Polímeros e Cerâmicos.

– E os Compósitos?

Sempre tem alguém querendo mostrar que sabe um pouquinho mais né?

É. Bom, os Compósitos também. De maneira bem raza (me desculpem, colegas de profissão) é quando você mistura pelo menos dois dos outros três grupos. Portanto,

Um Engenheiro de Materiais, em tese, tem conhecimento acerca de todos esses assuntos.

Tá bom, apelei. É óbvio que não é assim na prática!

Já na Graduação você vai se inclinando para uma área que se sinta mais a vontade. Seja por demanda, por prazer ou pela própria estrutura do curso que pode ter foco principal em uma dessas áreas. Na UFRJ por exemplo, eu fiz Mestrado na Engenharia Metalúrgica e de Materiais. O foco lá é em metais!

O meu ambiente de trabalho é majoritariamente metalúrgico também. Mas tem muita borracha, muito plástico, revestimentos, etc. E eu acabo lidando com tudo de certa forma.

– Tá bom, Rodrigo. Mas ainda não entendi. O que faz o Engenheiro de Materiais?

Vamos lá.

O Engenheiro de Materiais é o profissional que entende as transformações que acontecem com os materiais quando submetidos a qualquer solicitação fora da sua condição natural!

Eu explico.

Toda solicitação feita a um material, proposital ou não, tende a causar uma transformação em sua estrutura.

Pressão, temperatura, esforços de tração, compressão, atrito/desgaste, corrosão, erosão, e uma outra infinidade de situações que tendem a alterar a condição de um material.

Deformação, mudança de fase, cisalhamento de planos são exemplos dessas transformações.

O conhecimento adquirido por um(a) Engenheir@ de Materiais permite que ele tenha uma linha de raciocínio bastante semelhante, independente da subárea da Ciência dos Materiais com a qual esteja lidando.

É lógico que metais e plásticos são coisas extremamente diferentes e o Metalúrgico que se preze jamais vai sair aprovando/reprovando elastômeros por aí. Mas seu conhecimento permite que ele faça ponderações pertinentes, unicamente pelo fato de pensar nas possíveis transformações ou modificações que podem ocorrer com o material em questão.

Para finalizar.

Há muito tempo eu ouvi uma analogia, se não me engano em uma palestra do Professor @Gabriel Dutra, na UFSC, em que ele definiu a Engenharia de Materiais de maneira mais poética e filosófica,

A Engenharia de Materiais é como o caule de uma árvore, da qual as raízes são as ciências básicas, como física, matemática e química e os galhos são as diversas outras disciplinas da Engenharia, como Civil, Mecânica ou Elétrica.

Gostei! E você?

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